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OS PRIMEIROS

O que me separa do primeiro homem,
da primeira mulher do mundo,
dos seus medos, pavores, desejos,
anseios?

O que me separa quando o último
fio de lua ilumina a última
folha da mata
e em silêncio a manhã já se desgarra?

Uma fina película de tempo,
um grão de poeira de tempo.

03.12.2011


BASTAM SEIS

Dizem que bastam seis,
seis homens ou mulheres
para que se alcance
qualquer pessoa perdida
em qualquer lugar
sobre a face da Terra.

E os que se mudaram para as estrelas,
os que já se foram e apagaram o cenário,
os que perdemos para sempre,
como alcançá-los, como atravessar
seu silêncio espesso, a sua falta
de substância, a sua dolorosa luz?

06.12.2011

In Diário da Montanha, ed. Manati, 2012






HIBISCO

Há flores que se comem
como se fossem frutas,
numa comunhão entre
os olhos, a boca, o jardim.
Hibiscos coloridos, caprichosos,
derramam no prato a sua beleza,
passageira como um relâmpago,
e ao morder um hibisco
nos transformamos em poesia.

Abecedário (Poético) de Frutas, ed. Rovelle, 2013




ROUPA SUJA SE LAVA EM CASA

Nem teria graça
lavar roupa suja
no meio da rua,
no meio dos carros,
com o sinal aberto
ou fechado.
Mas em alguns lugares
ainda se lava roupa suja
nos rios
e é uma bela cena
para pintar aquarelas.
também se pode lavar
roupa suja
com água da chuva
mas é perigoso:
a roupa pode ficar
com gosto de céu.


A PALAVRA É DE PRATA E O SILÊNCIO É DE OURO

O silêncio é uma caixa
imensa onde cabem
e ressoam
todas as palavras
e há que pescá-las com cuidado.
Existem as redondas
e macias,
palavras vaga-lumes,
que iluminam a boca
de amor e doçura,
e outras com espinhos,
essa é melhor deixar
no fundo da caixa do mundo.

Dentro do silêncio
as palavras iluminadas
nadam
como peixes dourados.

In Quem vê cara não vê coração, ed. Callis & Instituto Houaiss, 2012




TERRACOTA


Da terra retiro
sua gama de cores:
ocre, vermelho, ferrugem,
terracota, outono,
o sol.

E pinto a alma em pinceladas
grossas, camada sobre camada,
para aguentar o peso do céu.


In Roseana Murray – Poemas para ler na escola,
Ed. Objetiva, 2011
CASA

Retiro o lastro da casa,
suas raízes na terra,
corto as amarras, as cordas,
tudo o que pesa se esvai.


Deixo que a tarde
com seu ar azul,
inunde a casa de luz,
retiro dos quatro cantos
a dor acumulada,
as flores mortas
e então, livre de todo o peso,
o relógio bate apenas
as horas de alegria
e em volta da mesa
todos os que partiram,
os que ficaram,
entrelaçam as mãos.


A casa voa.

 

In Roseana Murray – Poemas para ler na escola,
Ed. Objetiva, 2011

 
DANÇA

Então a vida é uma dança
de fogo
com a nossa sombra?
Sentimentos explodem,
um incêndio a cada passo.
como entrelaçar
todas as músicas
que me habitam?

 

In Roseana Murray – Poemas para ler na escola,
Ed. Objetiva, 2011


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UMA BALEIA


Uma baleia,

apesar do seu tamanho,

é mais leve

que uma nuvem,

é mais leve

que um mistério,

é quase uma música pousada

em cima do horizonte.


In O Mar e os Sonhos, ed. Abacatte, reedição,2011
AS SEREIAS

Navegar, navegar

pelos sete mares,

atravessar

montanhas de água,

florestas de água,

para encontrar

a pedra azul

onde dormem as sereias.

 

In O Mar e os Sonhos, ed. Abacatte, reedição,2011


PALAVRAS ANTIGAS


Astrolábios, sextantes,

alfarrábios,

arrumo nas minhas estantes

e cartas antigas,

roídas pelo tempo.

Arrumo luas e ventos,

todos os velhos instrumentos

para enfrentar o sol e a tempestade,

os rumos mais variados.

Parto nesse meu barco

para o país do amor.

Quantos homens, desde o início do mundo,

partiram, assim como eu,

uma bússola e um desejo,

o coração em sobressalto.

Quem, ancorado no cais,

esperará por mim?


In O Mar e os Sonhos, ed. Abacatte, reedição,2011


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O MÁGICO

Na noite do circo, o mágico

desperta estrelas, descostura

os fios do impossível,

acende com cuidado uma surpresa

a cada passo...

E logo um lenço vira laço,

o circo todo vira magia,

vira dança.



In O Circo, ed. Paulus, reedição, 2011
O TRAPEZISTA

Vai e vem o trapezista
se balançando no espaço.
Pula a cerca que separa
o circo do céu
e com a cauda de um cometa faz um laço.
Vai e vem o trapezista
desarrumando as estrelas:
Até a lua se assusta,
esconde o rosto no regaço.
volta ao chão o trapezista
refazendo o mundo com seus passos.

In O Circo, ed. Paulus, reedição, 2011
 
A BAILARINA

Caminha na ponta dos pés
a bailarina,
como se o circo fosse feito
de neblina:
Vai bailar a bailarina,
vai voar a bailarina
e é tão fina, tão fina...
vira vento a bailarina,
vira nuvem, vira ilha,
e num último salto
ilumina o palco,
transformando o silêncio
em maravilha.


In O Circo, ed. Paulus, reedição, 2011


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DENTRO DE UMA ÁRVORE

Existo dentro de uma árvore,
em seu oco,
em seu silêncio, sou sua seiva
enquanto fabrica sementes.
Os pés se misturam
com as raízes,
caminham dentro da terra,
reconhecem o rumor
da noite subterrânea.
Os braços são galhos,
as mãos se balançam
ao redor do vento:
eu e a árvore
o mesmo pensamento.
Minha imobilidade
dura alguns séculos.

in Carteira de Identidade, ed. Lê.
VELUDO ÁSPERO

Para falar do medo
chamo a noite,
seu veludo áspero
na garganta.
Chamo as raízes
apodrecidas no cerne
da terra,
chamo as notas
estridentes
de um violino quebrado.
Para falar do medo,
escrevo no quadro-negro
a palavra mortal.

in Carteira de Identidade, ed. Lê.
 
ANJO

Em cada precipício me sento
e um anjo me sussurra com calma
as encruzilhas,
as estradas desconhecidas.

Todos os meus anseios
estão em suas mãos
e com seu hálito me acalma,
me acalanta.

Durma, ele me diz, sentado
na beira de minha sombra,
não tenha medo dos sonhos.

in Carteira de Identidade, ed. Lê.
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Com patas de fogo
um cavalo rasga o vento:
pousa em meus sonhos.

Arabescos no Vento, ed. Prumo, ilustrações de Elvira Vigna

Amor é o cais,
um veleiro se aproxima,
as águas ssussurram

Arabescos no Vento, ed. Prumo, ilustrações de Elvira Vigna

Um beijo dourado
varre o corpo com luz,
ilumina o céu.

Arabescos no Vento, ed. Prumo, ilustrações de Elvira Vigna
NEBULOSAS

Tem pessoas que amamos
de amor tão intenso
que com seus gestos-palavras
vão fabricando nebulosas
dentro do corpo da gente

Poemas de Céu, ed. Paulinas, ilustrações de mari Ines Piekas
 
ESTRELA CADENTE

Quando eu estiver
com o olhar distante,
maninha,
com um jeito esquisito
de quem não está presente,
não se assuste,
ó maninha,
fui logo ali,
no quintal do céu,
colher uma estrela cadente.

Poemas de Céu, ed. paulinas, ilustrações de Mari Ines Piekas
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
AMIGO

No rumo certo do vento,
amigo é nau de se chegar
em lugar azul.
Amigo é esquina
onde o tempo para
e a Terra não gira,
antes paira,
em doçura contínua.
Oceano tramando sal,
mel inventando fruta,
amigo é estrela sempre
no rumo certo do vento,
com todas as metáforas,
luzes, imagens
que sua condição de estrela contém.

Poemas de Céu, ed. Paulinas, ilustrações de mari Ines Piekas

RIACHINHO

As águas claras
me contam segredos
de sol, de céu, de ar
e cantam acalantos
de ninar
enquanto correm ligeiras
da montanha para o mar.

Fardo de carinho, ed. Lê, ilustrações de Elvira Vigna
HORIZONTE

Se eu apagasse a fina linha
do horizonte
será que o céu cairia
no mar?
E as estrelas e a lua
começariam a navegar?

Ou será que o mar viraria
céu
e os peixes aprenderiam
a voar?

Fardo de carinho, ed. Lê, il.Elvira Vigna
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TRAPEZISTA

A trapezista brinca no balanço
toda vestida de branco
e braceletes no braço.

Não tem medo a trapezista
salta, gira e desafia,
seu corpo miúdo parece
um simples traço no espaço.

Fardo de carinho, ed. Lê, il. Elvira Vigna

CAIXINHA MÁGICA

Fabrico uma caixa mágica
para guardar o que não cabe
em nenhum lugar:
a minha sombra
em dias de muito sol,
o amarelo que sobra
do girassol,
um suspiro de beija-flor,
invisíveis lágrimas de amor.

Fabrico a caixa com vento,
palavras e desequilíbrio,
e para fechá-la
com tudo o que leva dentro,
basta uma gota de tempo.

O que é que você quer
esconder na minha caixa?
TRANSFORMAÇÃO

Fabrico uma árvore
com uma  simples semente,
terra escura e quieta,
umas gotas de água.

Pouco a pouco,
de lua em lua,
de folha em folha,
enquanto o tempo
desenha arabescos
em meu rosto,
minha árvore se transforma
em poema vivo,
suas letras  são flores,
são frutos, são música

Fábrica de poesia, Ed. Scipione, 2008

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MEL

Na curva da primavera,
no alto da montanha,
abelhas fabricam mel.
zumbem, dançam, rodopiam,
cantam para as flores
o azul do dia.
COMIDA DE SEREIA

O que será que a sereia come
em seu castelo de areia?
Enquanto penteia os cabelos
a panela esquenta na cozinha:
será que a sereia come anêmonas,
ostras, cavalos-marinhos?
Ou delicados peixinhos de olhos
dourados?
Algas marinhas, lulas, sardinhas?
Polvos, mariscos, enguias,
ou será que a sereia come poesia?
 
ELFOS

Elfos comem o perfume
das flores trazido pelo
vento,
comem os mais belos
pensamentos,
e as cores do dia
que o galo faz.
Comem o canto do galo,
as melodias dos pássaros
azuis,
comem a luz que cintila
na folha cheia de orvalho.
Elfos comem a sombra da lua,
o brilho da estrela
que já não existe mais.

Poemas e Comidinhas, Ed. Paulus, 2008
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
JOGO DA VERDADE
A verdade é um labirinto.

Se digo a verdade inteira,
se digo tudo o que penso,
se digo com todas as letras,
com todos os pingos nos is,
seria um deus-nos-acuda,
entraria um sudoeste
pela janela da sala.
Então eu digo
a verdade possível,
e o resto guardo
a sete chaves
no meu cofre de silêncios.
PIÃO

Um pião se equilibra
na palma da mão,
no chão, na calçada,
e alado vai rodando
por cima dos telhados,
gira entre as nuvens,
cada vez mais alto,
até que num salto
alcança a lua
e rola
até o seu lado oculto.
Faz a curva o pião
e ruma para Saturno,
tropeça nos anéis,
dá três cambalhotas,
se pendura
numa estrela cadente
e, sem graça,
volta para a palma da mão.
FADAS E BRUXAS

Metade de mim é fada,
a outra metade é bruxa.
Uma escreve com sol,
a outra escreve com a lua.
Uma anda pelas ruas
cantarolando baixinho,
a outra caminha de noite
dando de comer à sua sombra.
Uma é séria, a outra sorrí;
uma voa, a outra é pesada.
Uma sonha dormindo,
a outra sonha acordada.

in Pêra, Uva ou Maçã, ed. Scipione, 2005
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QUINZE

Ecoa nos ares o minarete,
e dele escapa
um grito pungente,
feito pássaro que houvesse
fugido
de uma gaiola dourada.
É a hora sagrada:
todo homem tem um encontro
marcado com Deus
e mistura as orações com saliva,
como a mãe que oferece
ao filho
pedaços da sua própria comida.
CINCO

Percorrer o silêncio do deserto,
sua espinha dorsal
feita de murmúrios, vertigens,
caravanas, o ruminar dos camelos.

Numa noite escura
uma fonte escondida
fabrica sonhos e água.
VINTE E DOIS

Rente ao muro
o homem caminha.
Seu corpo encharcado
de orações
carrega um bastão sagrado.
Com seus passos costura
o oriente ao ocidente.

in Desertos, ed. Objetiva, 2006
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ATLÂNDIDA

O caminho para a Atlântida
é de terra ou de luar?
é de linho, lã ou vento
o chão que devo pisar?

Parto agora para a Atlântida,
por estradas que invento,
passo perto de Pasárgada,
cruzo fronteiras no céu
e descubro que a Atlântida
fica na esquina de mim.
JANELAS

Em todas as janelas me debruço,
em todos os abismos
estendo uma corda
e caminho sobre o nada.
Também ando sobre as águas,
subo em nuvens,
galgo intermináveis escadas.
Abro todas as portas
e cavernas com um sopro
ou três palavras mágicas.
Mergulho em torvelinhos,
danço no meio do vento,
pulo dentro da tempestade.
Em cada encruzilhada me sento
e tento arrumar o destino,
estranho castelo de areia.
AVESSO

Atravessaria um rio grosso
no meio da noite
para decifrar tuas pegadas,
o rastro luminoso dos teus olhos.

Atravessaria a superfície
silenciosa dos espelhos
para ver o teu avesso.

Caminharia sobre água
e fogo
para soletrar teu corpo.

in Recados do Corpo e da Alma, ed. FTD, 2003
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MULHERES ACROBATAS

Onde se esconde a nascente
dos sonhos?
Em que alta montanha
ou profundeza de abismo?
Em que curva de rio
ou espuma de onda?
Em que gaze esgarçada
ou doçura de vento?

Nas estradas batidas
por unicórnios e silêncios
os saltimbancos vão passando
rumo ao coração de cada um
com seus trapézios e luz
e mulheres acrobatas.
NOVELO

Com fina linha prateada
o sonhador borda a sua vida:
na fronteira entre o dia e a noite,
entre uma estrela e outra,
uma palavra e sua sombra,
ergue um castelo de vento,
desfralda as bandeiras da paz.
PAUL KLEE

Os olhos como barcos,
entro escondida
num quadro do Klee.
O céu é a rua,
e o equilibrista,
quase sem respirar,
me ensina os segredos da vida.
Sobretudo, ele me diz,
é preciso saber conservar
as pernas no ar
e manter o olhar perdido;
Carregar pedaços de lua
no pensamento e sonhar.

A vida é pura navegação
e saio do quadro
como um pássaro invisível.

in Residência no Ar, ed. Paulus, 2007

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VENTO

assim me chama o vento
me despenteia os cabelos
nas teias do precipício
a vida começa hoje
começa sempre
desde o nada até a medula
todos os dias
colar os ossos
e ouvir o ruído
subterrâneo de um rio
a vida começa hoje
sempre por um fio
a alma é um pêndulo
leva as horas
de encontro
às pedras.
PARTIDA

Hoje arrumo as flores
em cima da mesa
as frutas na memória
quero um dia bem simples
alguma luz pousada
na superfície da água

hoje chamo para mim
amorosas palavras
que vivam um dia
perto do meu coração
que corram pela casa
com sua mistura de mel e espanto

alguém parte com um ruído seco
alguém sempre está partindo

SINOS

quando estava só
nos meus vastos campos
de machucadas orquídeas
e silêncio
e à noite bebia em taças opacas
estrelas líquidas e passado
e o vento do deserto
me alcançava trazendo
o rumor dos mortos
você chegou
com vassoura de luz
varreu a casa e limpou os sinos

in Poesia Essencial, ed. Manati, 2002
 
Vinhetas: Roger Mello, Jardins, Ed. MANATI
Foto do cabeçalho: Bruno Veiga (Divulgação Ed. Objetiva)
Criação: Gustavo Girard
Administrado por Lammota Comunicação