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Conheci a poeta carioca Roseana Murray numa biblioteca. Já lia seus livros antes de conhecê-la pessoalmente há anos na Biblioteca Coração de Estudante, do Colégio Municipal Gustavo Campos da Silveira.
Desde então, acompanho a peregrinação de Roseana pelas Salas de leitura de Saquarema e de muitas outras, que visita em viagens para outros estados e países, convidada por escolas e bibliotecas. A grande escritora, que é também uma apaixonada leitora, podendo não perde oportunidade de participar de uma boa roda literária com alunos e professores, seja em escolas, seja em sua própria casa, que abre mensalmente, em parceria com a Prefeitura da cidade que há anos escolheu para viver.
Dedica-se esta escritora, além do ofício de escrever, no isolamento de seu lindo cantinho, em frente à praia da Vila, a maquinar modos de formar mais e mais leitores. Entre ler e escrever, Roseana cogita sempre do prazer que a leitura lhe proporciona e pode causar aos outros – está completamente certa disso - desde que o experimentem. E facilita as coisas para isso: a sua poesia é feita de palavras simples, do vocabulário diário. Cabe na bagagem em qualquer lugar que vá, qualquer pessoa a entende – seus poemas conversam com qualquer um, de qualquer idade, pela música de suas imagens, tão comuns a todos.
Serão já, a esta altura, uns sessenta livros por aí. E sempre foi assim. A simplicidade lhe é fiel.
E a poeta, nacional e internacional, muito humildemente, serva de seu compromisso de levar a sua palavra e a alheia aonde quer que uma boa oportunidade se apresente, veio nos trazer, à Associação de Moradores e Amigos do Boqueirão, caixas e cestos de livros, além do seu irrestrito entusiasmo - desde que também acreditemos no poder transformador da palavra - de qualquer palavra artística.
A Arte da leitura, sugestão preferida pelo voto popular para dar nome à nossa Biblioteca, tentará, assim mesmo como imaginas, minha amiga - como um maravilhoso processo - despontar e acontecer.
Muito obrigada, em meu nome e da Associação, por tudo. Pelos livros, que estamos aqui para abrir e acabar de distribuir.
Com cumplicidade, a sempre tua, Maria Clara. Maio/2009