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Hoje faz um mês que voltei a escrever poesia – esta palavra mais mágica que outras, porque a todas concretas e abstratas pode substituir.
Fiquei verdadeiramente feliz pela retomada da capacidade de dizer coisas antes impensadas ou inauditas desta forma; e um pouco aflita (você diria, talvez, essencialmente aflita) por isso.
Bastante contente, porque esta poesia retorna sob o signo da amizade, com muitos bilhetes de volta entregues a minha comunidade afetiva (o seu e de Juan foi o primeiro).
E aflita, porque esta melhoria existencial que a palavra própria possibilita - análise, auto-conhecimento, educação do olhar, pesagem do afeto, do amor, etc. - terá pressa, insônia e indigência quando não vier. Sensações que vivi bem jovem, mas agora me levam com mais força a pensar em despedidas, finalidades, em fim...
Mas hoje é dia de celebração pela alegria do feito e pela saúde de mais poder fazer.
À nossa!
Lembro com ternura, em pormenores, da lenta maturação de nossa amizade. Desde os tempos da Biblioteca Coração de Estudante; você chegando como amiga da Escola, apresentada a mim no dia do workshop que eu estava dando a outros professores sobre Dinâmica e organização de bibliotecas escolares.
Depois, rápida como rastilho, você amiga da cidade toda: como “um Celacanto que provoca terremoto”, levantando toda aquela Onda de leitura. E como você o fez, escritora/leitora? Apenas - sem concessões - com sua palavra lida, linda e em franca expansão.
A sua literatura, que já conhecia de antes, mas que desde esse tempo acompanho como se desenrola mais fácil e plena de alma plena, nos chegava sob a forma de vários “manuais de delicadeza”, fotocopiados, distribuídos ou sorteados nos primeiros encontros em sua casa, de mão em mão, com os professores trocando papéis. Estes últimos livros, os saquaremenses, (de 2001 prá cá) são os que mais me utilizo em minha continuada educação sentimental.
Também as crianças, os jovens e adultos das escolas de Saquarema e adjacências têm ,desde que você mora aqui, essa oportunidade: você freqüentemente os visita, levando de viva voz sua poética, seus livros e fazendo das rodas de leitura, em qualquer canto, uma festa.
Vida longa a tudo isso, minha amiga!
À você, à sua poesia, ao doce Juan, a sua família, seus amigos (que também os quero meus), a minha família, meus amigos, minha poesia, ao Samuel e Vanda, às gatas, tartarugas e ao Lambão - que lá fora late como reclamasse lembrança.
Que logo venham novos encontros, matinais, vespertinos ou noturnos, que é sempre ótimo estar com vocês.
Clara , 08/6/2008 |