Vento exuberante, poderoso, imperial, o sudoeste saquaremense, que, há cerca de três dias, vem revolvendo os céus e os mares daqui, quis dar uma pequena trégua ontem, à noite, porque, numa mansão marítima, realizava-se um duplo lançamento de livros: "kira", de roseana murray, e "50 motivos para amar o nosso tempo", de juan arias. Como sou amigo, assíduo e fervoroso, do casal-escritor, participei, intensamente, dos preparativos da festa, não que eu tenha feito algo, mas pela emoção que me tomou o tempo todo da anti-véspera e da véspera. No própria noite, vigília do evento, eu nem consegui dormir. Parecia que era eu, duplo de ensaísta e poeta, quem reuniria tanta gente, daqui e de alhures. Como sempre, são memoráveis as recepções que roseana e juan oferecem aos amigos. Sua casa é a casa do saber, do sabor, da sensibilidade. E é única cada festa que promovem. Nem mais preciso insistir sobre as mensais "rodas de leitura", que ali ocorrem e de que sou, modesto, porém, entusiasta, escriba. O sabor da festa de ontem era especialíssimo, porque contava com a presença de kira, a netinha, que mora em barcelona e passa suas férias em saquarema. A pequena e seleta multidão de convivas festejou tudo e eu pude rever o lançamento de meu próprio livro, "águas de saquarema", que, dia 22 passado, congregou, na casa de cultura walmir ayala, pessoas apaixonadas pela poesia. Era como se meu evento fosse o prefácio, a prévia, a anti-sala do evento de roseana e juan. Ontem, tivemos uma segunda edição, ampliada e, quiçá, mais aconchegante, porque na própria residência dos escritores. Mas era a mesma a felicidade nos sorrisos, nos olhares, no clima, porque a poesia une, a literatura amalgama, o amor funde. Envolvidíssimo com tudo - naturalmente sou hiperbólico, até em função de minhas raízes médio-levantinas, que minha origem barroca mineira não recalca -, quis fazer uma intervenção na festa. Com a ajuda maravilhosa de maya, filha de juan, que rebatizei de deusa maya, tão exoticamente bela é ela, apresentei uma "performance", reafirmando os 5o e um motivos para amar o tempo presente. Por 25 vezes, gritei ao sudoeste o nome de juan, por outras 25 vezes bradei às ondas o nome de roseana e, para coroar, tudo exclamei ao universo "kira velvet", alegria do presente e insofismável esperança para os próximos tempos.